29/12/2016

Origem da palavra explicar

Origem da palavra explicar

A palavra explicar vem do latim e tem a ver com as plicas, as dobras de um tecido. Quem em Roma trabalhava dobrando vestidos era chamada plicatrix. A preposição latina ex, entre outras coisas, dava a ideia de tirar e abrir. Daí que explicar fosse desenrolar, desembaraçar, o que, no plano do diálogo, tomou o sentido de esclarecer e ensinar.

Por isso também  que escreve com X e não com S

O pior de todos os nossos problemas


Você pode se livrar das pessoas


21/12/2016

Pensamento do dia

No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julga - los. Raramente ou quase nunca os perdoam - Wilde

27/09/2016

Pensamentos para refletir



* Você pode se livrar das pessoas mas elas marcam você até nas menores coisas
 - Lobo do mar

* Fala quanto estás zangado e terás pronunciado o melhor dos discursos que lamentarás., Ambrose Bierce

* No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam.

* "Quando uma bola de bilhar choca com outra, a segunda "deve" mover-se."

* Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero.

* "Conhecerás o futuro quando ele chegar; antes disso, esquece-o."―Ésquilo

* "Um pouco de fraqueza mostra como somos humanos e o quanto ainda precisamos aprender e crescer"

23/09/2016

Português do Brasil X Português de Portugal


 
Sabemos que a língua portuguesa falada no Brasil apresenta algumas diferenças em relação à língua falada em Portugal. Observe a seguir, três aspectos em que essas diferenças costumam ocorrer: vocabulário, fonética e sintaxe.
1. Vocabulário
Ao compararmos as duas línguas, percebemos que uma série de palavras utilizadas no português do Brasil não são as mesmas encontradas no português lusitano. Veja exemplos na tabela abaixo:
Português do Brasil
Português de Portugal
abridortira-cápsulas
açouguetalho
aeromoçahospedeira de bordo
apostilasebenta
balarebuçado
banheirocasa de banho
cafezinhobica
caixa, caixinhaboceta
calcinhacueca
carteira de identidadebilhete de identidade
carteira de motoristacarta de condução
celulartelemóvel
conversíveldescapotável
faixa de pedestrespassadeira
filafila ou bicha (gíria)
geladeirafrigorífico
grampeadoragrafador
história em quadrinhosbanda desenhada
injeçãoinjeção ou pica (gíria)
meiaspeúgas
ônibusautocarro
pedestrepeão
ponto de ônibusparagem
professor particularexplicador
sanduíchesandes
sorvetegelado
sucosumo
tremcomboio
vitrinemontra
xícarachávena

2. Fonética
A diferença na pronúncia é a que mais se evidencia quando comparamos as duas variantes. Os brasileiros possuem um ritmo de fala mais lento, no qual tanto as vogais átonas quanto as vogais tônicas são claramente pronunciadas. Em Portugal, por outro lado, os falantes costumam "eliminar" as vogais átonas, pronunciando bem apenas as vogais tônicas. Observe:
Pronúncia no Brasil
Pronúncia em Portugal
menino
m'nino
esperança
esp'rança
pedaço
p'daço

3. Sintaxe 

Algumas construções sintáticas comuns no Brasil não costumam ser utilizadas em Portugal, tais como:
- Colocação do pronome oblíquo em início de frase.
Português do Brasil
Português de Portugal
Me dá um presente?
Dá-me um presente?

- Emprego da preposição em, ao invés de a.
Português do Brasil
Português de Portugal
Vou na escola hoje.
Vou à escola hoje.

- Uso frequente de gerúndio, ao invés de infinitivo precedido de preposição.
Português do Brasil
Português de Portugal
Estou preparando o almoço.
Estou a preparar o almoço.

16/09/2016

ETC O que estudar

O que estudar para fazer o Vestibulinho Etec Vai fazer o Vestibulinho Etec e não sabe o que estudar, 

confira aqui as principais dicas de estudo para você se dar bem na hora da prova.
 No geral a prova do Vestibulinho Etec exige bastante conhecimentos gerais do estudante, principalmente sobre português e matemática, uma boa é tentar ler jornais e revistas, se você tem dificuldade na interpretação de textos, se foque nisso, já que essa é uma das habilidades que mais irá te ajudar na hora da prova.
Além do básico do português e da matemática, a prova também tem algumas questões de química básica, física e história.
Uma boa ideia é procurar as provas antigas online e tentar fazê-las já que a prova não muda muito de um ano para o outro. O que estudar
• Interpretação de texto •
Interpretação de gráficos e tabelas
• Gramática
• Regra de três
• Soma, subtração, divisão e multiplicação de frações
• Teorema de pitágoras
 • Equações de primeiro e segundo grau.
• História do Brasil
• Primeira e segunda guerra mundial Diferente de muitas outras provas do tipo, o Vestibulinho Etec não tem redação, ou seja você não precisa se preocupar com isso, se seu objetivo é só o de entrar no Etec. É isso ai, estude e dedique-se que você irá passar, não tem segredo, boa sorte.

14/09/2016

ATIVIDADES DE RECUPERAÇÃO 3ºS TERMOS - QUEM PERDEU UMA OU DUAS DAS ONLINES



CLICA AQUI - RECUPERAÇÃO 3ºS TERMOS A/B

Resumo de Dom Casmurro - Machado de Assis




Resumo da obra de Dom Casmurro
"Casmurro, em seu sentido primeiro, dicionarizado, traz-nos a ideia
de obstinado, teimoso, cabeçudo. O adjetivo carrega, semanticamente, o peso do negativo. Caracterizar alguém, usando-o, é, sem dúvida, depreciativo. A obstinação e a teimosia conferem às pessoas traços de personalidade marcados pela irredutibilidade: ideia fixa; pré-julgamento; incapacidade de reconhecer os próprios erros ou de voluntariedade e tantos outros.
Antecedendo ao adjetivo já substantivado, encontramos o vocábulo Dom, cujo valor, em português, equipara-se ao de sir, em inglês. Entendamos, a partir dessa explicação, Dom Casmurro por “Senhor Obstinado, Teimoso, Cabeçudo”. Sem dúvida, Dom acaba por conferir a casmurro a confirmação dessa irredutibilidade: aquele que é senhor, dono, tem plenos poderes pela consciência daquilo em que pensa, daquilo que quer e em que acredita. "
fonte: MOZINE BLOG

05/09/2016

Palavras homônimas



Palavras mágicas que abrem portas


Acho que temos um parcela de culpa nisso... 
não nos preocupamos muito em ensinar nossos filhos a mencionar tais expressões... 

"Desculpa
Com licença
por favor
muito obrigado
São sábias palavras de um povo civilizado"




30/08/2016

Lifted



Aceito comentários sobre o vídeo.

Será inútil dizer PAI NOSSO...


Será inútil dizer:
Pai Nosso, se em minha vida não ajo
como um filho de Deus,
pois fecho meu coração ao amor.

Será inútil dizer:
que estais no céu,
se os meus valores são representados
pelos bens da Terra.

Será inútil dizer:
SANTIFICADO SEJA O vosso NOME,
se penso apenas em ser cristão por medo,
superstição ou comodismo.

Será inútil dizer:
VENHA a nós O vosso REINO,
se acho tão sedutora a vida aqui,
cheia de coisas supérfluas e futilidades.

Será inútil dizer:
SEJA FEITA A vossa VONTADE,
se, no fundo, desejo mesmo é
que os meus sonhos se realizem.


Será inútil dizer:
PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS
ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS
A QUEM NOS TEM OFENDIDO,
 se não me importo em ferir, injustiçar,
oprimir e magoar os que se
atravessam no meu caminho.

Será inútil dizer:
E NÃO NOS DEIXAI CAIR EM TENTAÇÃO, se escolho sempre o caminho mais fácil,
que nem sempre é o caminho de Cristo.

Será inútil dizer:
MAS LIVRAI-NOS DO MAL, se por minha própria vontade procuro os
prazeres materiais e tudo o
que é proibido me seduz.
Também será inútil dizer
AMÉM,
porque sabendo que sou assim,
continuo me omitindo e nada faço para me modificar. 

Por que quem nasce em Salvador é “soteropolitano”?



Muitos dos adjetivos que se referem a cidades, estados ou países têm origem grega ou latina.
É o caso de “tricordiano”, que se refere a Três Corações (MG), cidade natal de Pelé.
Esse adjetivo é formado pelos elementos latinos “tri” (“três”) e corcordis (“coração”), aos quais se agrega a terminação “-iano”. “Soteropolitano” se refere a “Soterópolis”, que os dicionários dão como “helenização” do nome da capital do Estado da Bahia.
Que vem a ser “helenização”? É o “ato de helenizar”.
Os helenos deram origem ao povo grego. Em outras palavras, “helenizar” é “tornar conforme ao caráter grego”.
Pois bem, em sua versão “grega”, Salvador se transforma em “Soterópolis”, que, segundo Caldas Aulete, vem de soter(“salvador”) + polis (“cidade”). Além de “soteropolitano”, existe a forma “salvadorense”.
 É bom lembrar que muitos baianos se referem à capital de seu estado como “Cidade da Bahia”, o que explica por que alguns dicionários (o “Houaiss” e o de Caldas Aulete, por exemplo) registram “baiano como relativo a todo o Estado da Bahia ou apenas à capital”.  
Fonte: Nossa Língua Curiosa

                                   http://www.soportugues.com.br/secoes/curiosidades/Curiosidade_quem_nasce_em_Salvador.php

Indicação do blog da escola

                                               ASTRO


22/08/2016

Dicas para redação do ENEM para não zerar

veja os sete motivos pelo qual o participante pode ter nota zero na prova de redação do ENEM 2016:
 Fuga total ao tema;
Não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa;
 Texto com até sete linhas;
Impropérios, desenhos ou outras formas propositais de anulação, ou parte do texto deliberadamente desconectada ao tema proposto;
 Desrespeito aos direitos humanos;
 Redação em branco, mesmo com texto em rascunhos;

Cópia do texto motivador. - See more at: http://www.sisutec.com.br/redacao-enem-2016/#sthash.bs3xGQ70.dpuf

O que é Literatura?

Alunos da EJA   3ºs Termos A/B

12/08/2016

02/08/2016

Tipologias textuais e gêneros Agrupamentos de Gêneros Schneuwly e Dolz





                                          Link para um melhor estudo   

A natureza da cobra - Reflexão


Um mestre do Oriente viu quando uma cobra estava morrendo queimada e decidiu tirá-la do fogo, mas quando o fez, a cobra o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo no fogo e estava se queimando de novo. O mestre tentou tirá-la novamente e novamente a cobra o picou. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse:
— Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-la do fogo ela irá picá-lo?
O mestre respondeu:
— A natureza da cobra é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.
Então, com a ajuda de um pedaço de ferro o mestre tirou a cobra do fogo e salvou sua vida.
Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal, não perca sua essência; apenas tome precauções.
Alguns perseguem a felicidade, outros a criam.
Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação.
 Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, não é problema nosso… é problema deles.

02/06/2016

Nada é de graça...- Rubem Alves



" a metade de uma aula em uma universidade, um dos alunos, inesperadamente perguntou ao professor:
- você sabe como se capturam os porcos selvagens?
O professor achou que era uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem respondeu que não era uma piada, e com seriedade começou sua dissertação:
- você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e puxando um pouco de milho no chão. Os porcos vêm diariamente a comer o milho de grátis. Quando se acostumam a vir diariamente, você constrói uma cerca ao lado do local onde eles se acostumaram a vir. Quando se acostumam com a cerca, eles voltam para comer o milho e você constrói outro lado da cerca...
Eles voltam a acostumar-se e voltam a comer. Você vai pouco a pouco até instalar os quatro lados do cercado em torno dos porcos, no final instala uma porta no último lado. Os porcos já estão habituados ao milho fácil e às cercas, começam a vir sozinhos pela entrada. É aí quando você fecha o portão e captura a todo o grupo.
Simples assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade. Eles começam a correr em círculos dentro da cerca, mas já estão sujeitos. Depois, começam a comer o milho fácil e gratuito. Ficam tão acostumados a isso que esquecem como caçar por si mesmos, e por isso aceitam a escravidão; mais ainda, mostram-se gratos com os seus captores e por gerações vão felizes ao matadouro.
O jovem comentou com o professor que era exatamente isso que eu via acontecer no seu país, no seu estado, em sua cidade, no seu povo.
Onde governos ditatoriais, escondidos sob o manto "Democrático", Lhes esteve jogando milho gratuito pelo tempo suficiente para alcançar a mansidão sistemática.
Cada novo " Governo Salvador " disfarçando em programas de ajuda suas esmolas, dá dinheiro, missões, planos, remissão, leis de " Protecção ", Subsídios para qualquer coisa, expropriações indevidas, programas de "Bem-estar social", Festas, feiras ou festivais, uniformes, úteis, transporte "Grátis", G R A T I s!
Toda essa gratuidade que nos oferecem os governantes e cheia de felicidade para um povo acostumado com as migalhas do milho fácil e gratuito, roubam-nos a capacidade de ser críticos pensantes e pessoas empreendedoras.
No entanto, claro que nada nos saiu de graça. "Não existe almoço grátis".
Finalmente, se você se dá conta de que toda essa maravilhosa " ajuda " Governamental é um problema que se opõe ao futuro da democracia no nosso país, deveria compartilhar esta mensagem."

AMPLEXO



Mãe, me dá um amplexo?
A pergunta pega Cinira desprevenida. Antes que possa retrucar, ela nota o dicionário na
mão do filho, que completa o pedido:

- E um ósculo também.
Ainda surpresa, a mulher procura no livro a definição das duas estranhas palavras. E encontra. Mateus quer apenas um abraço e um beijo.

Conversa vai, conversa vem, Cinira finalmente se dá conta de que o garoto, recém-apresentado às classes gramaticais nas aulas de Português, brinca com os sinônimos. "O que vai ser de mim quando esse tiquinho de gente cismar com parônimos, homônimos, heterônimos e pseudônimos?", pensa ela, misturando as estações. "Valha-me, Santo Antônimo!" E emenda:

- Pára com essa bobagem, menino!

- Ah, mãe, o que é que tem? Você nunca chamou cachorro de cão? E casa de residência? E carro de automóvel?

- É verdade, mas...

Mas a verdade é que Cinira não tem uma boa resposta.

- E meu nome é Mateus - continua o rapaz. - Só que você me chama de Matusquela.

- Ei, isso não vale. Matusquela é apelido carinhoso.

- Sei, sei. Tudo bem se eu usar nosocômio e cogitabundo em vez de hospital e pensativo?
E criptobrânquio no lugar de mutabílio?

- Mutabílio? O que é que é isso?

- O mesmo que derotremado, ora. Tá aqui no Aurélio.

Está mesmo. É um bichinho. Mas pouco importa. A mãe questiona a opção do menino por vocábulos incomuns. Mateus sai-se com esta:

- A professora disse que aprender palavras é como ganhar roupas e guardar numa gaveta. Quando a gente precisa delas, tira de lá e usa. Cada uma serve para uma ocasião, por mais esquisita que pareça. Igual à querê-querê roxa que você me deu no último aniversário. Lembra?

Como esquecer? Cinira nem se dá ao trabalho de consultar o dicionário. Sabe que a explicação para essa última provocação está no verbete camiseta.


Amplexo aos internautas

Esposa surda - Só para refletir


Um homem telefona ao médico para marcar uma consulta para a sua mulher.
A atendente pergunta:
- Qual o problema de sua esposa ?
- Surdez ! Não ouve quase nada.
- Então, o senhor vai fazer o seguinte: antes de trazê-la fará um teste,
para facilitar o diagnóstico do médico. Sem que ela esteja olhando, o
senhor, a uma certa distância, falará em tom normal, até que perceba a que
distância ela consegue ouví-lo. Então, quando vier, dirá ao médico a que
distância o senhor estava quando ela o ouviu.. Certo ?
- Está certo.
À noite, enquanto a mulher preparava o jantar, o senhor decidiu fazer o
teste. Mediu a distância que estava em relação à mulher. E pensou:
Estou a 10 metros de distância. Vai ser agora !
- Júlia, o que temos para o jantar ?
Nada. Silêncio. Aproxima-se a 5 metros
- Júlia, o que temos para jantar ? Nada. Silêncio.
Fica a 3 metros de distância:
- Júlia, o que temos para o jantar ?
Silêncio. Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:
- Júlia! O que temos para o jantar ?
- Frango !

- Puta que pariu.
É a quarta vez que eu respondo !

NORMALMENTE, NA VIDA, PENSAMOS QUE AS DEFICIÊNCIAS SÃO DOS OUTROS E NÃO
NOSSAS.

APENAS PARA REFLITIR…
 




27/04/2016

TRABALHO DE PORTUGUÊS - Análises de narrativas curtas

 ALUNOS DOS 3ºS TERMOS A/B

ENTREGA ATÉ ÚLTIMO DIA ÚTIL DE MAIO

ROTEIRO DO TRABALHO DE PORTUGUÊS (Narrativas curtas)

Acesse o menu contos neste blog escolha um conto ou CLICA AQUI
• CAPA DIGITADA  (digita a capa e cole na folha)
• ATIVIDADES MANUSCRITAS  ( Dê preferência ao papel almaço 2 páginas)
Identificar os seguintes elementos

 1. Foco Narrativo ( 1ª ou 3ª pessoa)
Escrever um trecho que justifica

2.  Personagens principais: Características físicas e psicológicas

3. Época ( Elementos característicos)

4.  Espaço ( Dê a descrição do espaço)

5.  Assunto ou enredo ( Resumo da situação inicial, quebra da situação, conflito, final)
    ( Fazer um resumo de toda a história lida sem copiar o texto apenas o que entendeu )

6.  Resenha crítica) O que aprendi lendo essa obra?

7. Valeu a pena ler? Por quê?

8.    Breve biografia do autor do conto
(Entrega: último dia útil do mês de maio)



Peixes na floresta - Monteiro Lobato


Era um camponês que tinha uma esposa muito faladeira. Um dia em que ele achou um tesouro enterrado na floresta, trouxe-o para casa e disse à mulher:
— Acabo de descobrir uma grande fortuna, mas temos de escondê-la. Onde será?
A mulher achou melhor enterrarem o tesouro debaixo do assoalho da isbá em que moravam. O camponês concordou. Mas assim que a mulher foi ao poço buscar água, tirou o tesouro dali e escondeu-o em outro lugar.
A mulher veio com a água.
— Mulher mulher — disse o camponês — é preciso que ninguém saiba que temos este tesouro aqui debaixo do assoa lho. Muito cuidado com a língua, ouviu?
Mas como não tinha a menor confiança nela, armou um plano.
— Olhe, amanhã iremos à floresta apanhar peixes. Dizem que estão aparecendo em quantidade.
— O quê? Peixes na floresta? Onde já se viu isso?
— Na floresta você verá. Madrugadinha o camponês levantou-se e foi à vila. Comprou uma porção de peixes, uma porção de aletria e uma lebre. Passou depois pela floresta, espalhando tudo aquilo em vários pontos. A lebre ele fisgou num anzol de linha comprida e jogou n'água.
Chegando em casa, almoçou e convidou a mulher para irem à floresta. Foram. Que beleza! Peixe por toda parte, um aqui, outro ali, outro acolá. A mulher, com gritos de surpresa, ia acomodando a peixada na cesta.
Depois deu com a aletria pendurada de uma árvore.
— Olhe, marido! Aletria pendurada em árvore!...
— Não me espanto de coisa nenhuma — disse o homem. — Nestes últimos dias tem chovido muita massa dessa, que fica assim pendurada das árvores. Mas a gente da aldeia já apanhou quase tudo.
Nisto chegaram à lagoa, onde ele jogara a lebre.
— Espere um pouco, mulher. Esta manhã pus aqui uma linha de anzol com isca para lebre d'água. Vou ver se apanhei alguma.
Puxando a linha apareceu no anzol uma lebre.
— Como é isso? — gritou a mulher. — Lebre d'água? Que coisa espantosa! Nunca ouvi dizer de lebre que morasse em água!...
— Nem eu, mas o fato é que pesquei uma.
  Voltaram para casa com aquela lindíssima colheita e a mulher passou o dia a preparar os peixes e a lebre.
Uma semana depois em toda a redondeza só se falava no tesouro que o camponês descobrira. As autoridades mandaram chamá-lo.
— É verdade que achou um tesouro na floresta? O camponês riu-se.
— Tesouro, eu? Ah, quem me dera achar um!
— Mas sua própria mulher anda assoprando no ouvido de toda gente que você achou um tesouro e o escondeu debaixo do assoalho da sua isbá.
— Minha mulher anda a dizer isso? Coitada! É uma louquinha que não sabe o que diz.
— É verdade, sim! — gritou a mulher, furiosa. — Ele achou um
tesouro, que eu ajudei a enterrar debaixo do assoalho! Louca, eu! É boa...
— Quando foi isso? — perguntou o camponês.
— Na véspera daquele dia em que juntamos peixe na floresta.
— Peixe na floresta? — repetiu o homem, fazendo cara de não entender.
— Sim. No dia em que choveu aletria e você pescou uma lebre d'água.
As autoridades convenceram-se de que a mulher era mesmo louca, e como na busca que deram nada encontrassem debaixo do assoalho da isbá, o caso morreu. O camponês esfregou as mãos, de contente.
— Veja se eu fosse me fiar nela! Estava hoje desmoralizado e com o meu rico tesouro perdido...
 — Que complicação para chegar a esse resultado! — exclamou Narizinho.
— Esse camponês sabia a mulher que tinha.
— E que grande maroto! — disse Pedrinho. — Logrou a mulher, logrou as
autoridades — logrou todo mundo. Freguês mais escovado ainda não vi.
— E isbá, dona Benta, que é? — perguntou Emília.
— É o nome das casas da roça lá na Rússia, em geral de madeira. Casa de roça, aqui nós chamamos rancho, casebre, casa de sapé, mocambo e outras coisas assim. Lá é isbá.
— Gostei da história dos russos — disse Narizinho. — Está pitoresca.
Vamos ver outra de lá mesmo.
— Não. Para variar contarei uma de outra terra muito fria, a Islândia. E dona Benta contou a história de...

Atividades sobre o conto: Copie as questões no caderno e responda

1. Qual o foco narrativo do conto?
2. Qual espaço que ocorrem os fatos?
3. Quem são as personagens? Faça uma descrição delas
4. Faça um breve enredo do conto ( O que você entendeu)
5. Retire do texto palavras que  marcam " ações " em ordem cronológica
6. Faça uma análise crítica baseando nesta pergunta: Atualmente existem pessoas como estas personagens no conto? Como elas são e agem?

J Prof. Jerônimo Abril de 2016


21/04/2016

Conversinha mineira - Fernando Sabino





CONVERSINHA MINEIRA

-- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?

-- Sei dizer não senhor: não tomo café.

-- Você é dono do café, não sabe dizer?

-- Ninguém tem reclamado dele não senhor.

-- Então me dá café com leite, pão e manteiga.

-- Café com leite só se for sem leite.

-- Não tem leite?

-- Hoje, não senhor.

-- Por que hoje não?

-- Porque hoje o leiteiro não veio.

-- Ontem ele veio?

-- Ontem não.

-- Quando é que ele vem?

-- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.

-- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!

-- Ah, isso está, sim senhor.

-- Quando é que tem leite?

-- Quando o leiteiro vem.

-- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?

-- O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a coalhada?

-- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?

-- Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.

-- E há quanto tempo o senhor mora aqui?

-- Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.

-- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?

-- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.

-- Para que Partido?

-- Para todos os Partidos, parece.

-- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.

-- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...

-- E o Prefeito?

-- Que é que tem o Prefeito?

-- Que tal o Prefeito daqui?

-- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.

-- Que é que falam dele?

-- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.

-- Você, certamente, já tem candidato.

-- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.

-- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?

-- Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...

Texto extraído do livro "A Mulher do Vizinho", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1962, pág. 144.
Tudo Fernando Sabino em "Biografias".

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Casimiro de Abreu

09/04/2016

Crônica: Gênero entre jornalismo e literatura



Assim como a fábula e o enigma, a crônica é um gênero narrativo. Como diz a origem da palavra (Cronos é o deus grego do tempo), narra fatos históricos em ordem cronológica, ou trata de temas da atualidade. Mas não é só isso. Lendo esse texto, você conhecerá as principais características da crônica, técnicas de sua redação e terá exemplos.


Uma das mais famosas crônicas da história da literatura luso-brasileira corresponde à definição de crônica como "narração histórica". É a "Carta de Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha", na qual são narrados ao rei português, D. Manuel, o descobrimento do Brasil e como foram os primeiros dias que os marinheiros portugueses passaram aqui. Mas trataremos, sobretudo, da crônica como gênero que comenta assuntos do dia a dia. Para começar, uma crônica sobre a crônica, de Machado de Assis:

O nascimento da crônica
“Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue está começada a crônica. (...)
(Machado de Assis. "Crônicas Escolhidas". São Paulo: Editora Ática, 1994)

ESFERA: Publicada em jornal ou revista onde é publicada, destina-se à leitura diária ou semanal e trata de acontecimentos cotidianos.
A crônica se diferencia no jornal por não buscar exatidão da informação. Diferente da notícia, que procura relatar os fatos que acontecem, a crônica os analisa, dá-lhes um colorido emocional, mostrando aos olhos do leitor uma situação comum, vista por outro ângulo, singular.

LEITOR PRESSUPOSTO: é urbano e, em princípio, um leitor de jornal ou de revista. A preocupação com esse leitor é que faz com que, dentre os assuntos tratados, o cronista dê maior atenção aos problemas do modo de vida urbano, do mundo contemporâneo, dos pequenos acontecimentos do dia a dia comuns nas grandes cidades.

Jornalismo e literatura
É assim que podemos dizer que a crônica é uma mistura de jornalismo e literatura. De um recebe a observação atenta da realidade cotidiana e do outro, a construção da linguagem, o jogo verbal. Algumas crônicas são editadas em livro, para garantir sua durabilidade no tempo.
Leia a seguir uma crônica de um dos maiores cronistas brasileiros:

Recado ao Senhor 903

“Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ate o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.

[...] Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: ‘Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou’. E o outro respondesse: ‘Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela’.

E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.”

(Rubem Braga. "Para gostar de ler". São Paulo: Ática, 1991)

Fato corriqueiro...
Há na crônica uma série de eventos aparentemente banais, que ganham outra "dimensão" graças ao olhar subjetivo do autor. O leitor acompanha o acontecimento, como uma testemunha guiada pelo olhar do cronista que tem a pretensão de registrar de maneira pessoal o acontecimento. O autor dá a um fato corriqueiro uma perspectiva, que o transforma em fato singular e único.

No caso da crônica "Recado ao Senhor 903", há uma crítica à desumanização na cidade grande, na qual somos, muitas vezes, apenas números e não pessoas. O surpreendente é a inversão proposta pelo narrador ao final da crônica: no lugar da intolerância, tão comum nas cidades grandes, ele propõe um possível acolhimento amigo.
Outro aspecto é que as personagens das crônicas não têm descrição psicológica profunda, pois, são caracterizadas por uma ou duas características centrais, suficientes para compor traços genéricos, com os quais uma pessoa comum pode se identificar. Em geral, as personagens não têm nomes: é a moça, o menino, a velha, o senador, a mulher, a dona de casa. Ou têm nomes comuns: dona Nena, seu Chiquinho, etc...



Análise da linguagem
1) Intenção e linguagem

O narrador-personagem da crônica (ou remetente da carta ao vizinho) reconhece que faz barulho e por isto pede desculpas. Veja, assim, as palavras e afirmações que usou para construir essa ideia: "consternado", "desolado", "lhe dou inteira razão", "O regulamento do prédio é explícito", "Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso", "Peço desculpas", "Prometo silêncio".


No entanto, através de ironias, o narrador reconhece sua falta, mas explicita que não concorda com a situação, uma vez que a aborda também de outro ângulo, problematizando as relações entre as pessoas e não simplesmente aceitando a situação como algo imutável. 

E faz isso, especialmente, quando:

  • ironiza a estruturas dos prédios em que as pessoas ficam empilhadas, perdendo o contato humano;
  • refere-se a todos os vizinhos, incluindo ele próprio, pelo número do apartamento e não pelo nome;
  • critica o isolamento e a distância entre as pessoas cujas vidas estão limitadas pelas normas que cerceiam o convívio humano;
  • sonha com outra relação mais humana e fraterna, entre as pessoas.

2) Ironia e humor
a) Veja como o narrador usa uma fina ironia quando fala de si mesmo e dos motivos das reclamações do vizinho:
"Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua." Verifique ainda como o uso do elemento "apenas", usado duas vezes intensifica a sua exclusão em relação aos demais moradores do prédio.
b) O excesso de referência a números acaba por criar um efeito de humor e crítica social:
"Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h 45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h 15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ate o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305."

Enfim, o efeito de humor tem a ver com:

  • o contraste entre uma situação e outra: os que mantêm silêncio e pessoas, como o narrador, que não o fazem;
  • o inesperado: o texto parece se encaminhar para um sentido e bruscamente aponta para outro.

3)Uso de verbo
Quando o narrador quer sonhar com uma outra situação em relação, não só à sua vizinhança, mas também à vida na cidade grande, veja que ele constrói essa ideia usando verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo, o que indica possibilidade/desejo/hipótese:

"Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: 'Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou'. E o outrorespondesse: 'Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela'.

E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

4)Uso dos artigos
Releia os trechos:
a) "Quem fala aqui é o homem do 1003.".
Foi usado o artigo definido ( o ), quando o narrador refere-se a si mesmo, particularizando, dessa forma, um indivíduo, entre outros.
b) "Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse (...). E o outro respondesse (...)"
Há artigo indefinido ("um homem"), quando foi introduzido um elemento ainda não citado no texto, generalizando-o. Há artigo definido ("o outro"), quando novamente se tem um indivíduo já citado, particularizando-o.
Veja que essas escolhas linguísticas vão constituindo a ligação/coesão entre as partes do texto, de tal maneira que, mais do que saber o nome das classes da gramática - substantivos, adjetivos, artigos, advérbios, verbo, conjunção, pronome, preposição, numeral - é importante saber suas articulações na construção dos sentidos de um texto.

Características das crônicas 
A crônica é um texto narrativo que:
  • É, em geral, curto;
  • Trazem as pessoas comuns como personagens, sem nome ou com nomes genéricos. As personagens não têm aprofundamento psicológico; são apresentadas em traços rápidos;
  • É organizado em torno de um único núcleo, um único problema;
  • Tem como objetivo envolver, emocionar o leitor.
  • O discurso: Texto curto e inteligível (de imediata percepção); 
  • Apresenta marcas de subjetividade – discurso na 1ª e 3ª pessoa;
  • Pode comportar diversos modos de expressão, isoladamente ou em simultâneo:
- narração;
- descrição;
- contemplação / efusão lírica;
- comentários;
- reflexão.

  • Linguagem com duplos sentidos / jogos de palavras / conotações;
  • Utiliza a ironia;
  • Registro de língua corrente ou cuidado;  geralmente emprega a variedade informal da língua;
  • Pode apresentar discurso direto, indireto e indireto livre, que vai da oralidade ao literário;
  • Predominância da função emotiva da linguagem sobre a informativa;
  • Vocabulário variado e expressivo de acordo com a intenção do autor;
  • Pontuação expressiva;
  • Emprego de recursos estilísticos;
  • A temática:  Trata de problemas do cotidiano; assuntos comuns, do dia a dia; 
  • Aborda aspectos da vida social e quotidiana; 
  • Transmite os contrastes do mundo em que vivemos; Apresenta episódios reais ou fictícios;
  • O narrador pode ser observador ou se constituir em personagem; 
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A crônica pode receber diferentes classificações:

a líricaem que o autor relata com nostalgia e sentimentalismo;

a humorísticaem que o autor faz graça com o cotidiano;
a crônica-ensaioem que o cronista, ironicamente, tece uma crítica ao que acontece nas relações sociais e de poder;
a filosóficareflexão a partir de um fato ou evento;
- e jornalísticaque apresenta aspectos particulares de notícias ou fatos, pode ser policial, esportiva, política etc.



Podemos identificar duas maneiras de se produzir uma crônica: 
  • a primeira é a narrativa, que como já foi dito, conta um fato do cotidiano, utilizando-se de personagens, enredo, espaço, tempo, etc. 
  • a segunda é a crônica dos textos jornalísticos, é uma forma mais moderna do gênero, e ao contrário da outra não narra e sim disserta, defende ou mostra um ponto de vista diferente do que a maioria enxerga.

As semelhanças entre as duas são justamente o caráter social crítico, abordando sempre uma maneira de enxergar a realidade, e o tom humorístico, irônico ou até mesmo sarcástico. Podem se utilizar, para esse objetivo, de “personagens tipo”, da sociedade que criticam.

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OBSERVAÇÃO:

Partilha fatos do cotidiano com seu leitor, dando singularidade a eles.
Traz aspectos de oralidade para a escrita: expressões de conversa familiar e íntima, repetições e o pronome “você”.
Emprega verbos flexionados na primeira e terceira pessoas.
Vale-se do discurso direto no diálogo, verbos de dizer.
Usa marcas de tempo e lugar que revelam fatos do cotidiano.
Cobrança – Moacyr Scliar

Ela abriu a janela e ali estava elediante da casa, caminhando de um lado para outroCarregava um cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos passantes: "Aqui mora uma devedora inadimplente".
― Você não pode fazer isso comigo ― protestou ela.
― Claro que posso ― replicou ele. ― Você comprou, não pagou. Você é uma devedora inadimplente. E eu sou cobrador. Por diversas vezes tenteilhe cobrar, você não pagou.
― Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta crise...
― Já sei ― ironizou ele. ― Você vai me dizer que por causa daquele ataque lá em Nova York seus negócios ficaram prejudicados. Problema seu, ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar. E é o que estoufazendo.
― Mas você podia fazer isso de uma forma mais discreta...
― Negativo. Já usei todas as formas discretas que podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada. Você fazia de conta que nada tinha a ver com o assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que não me restououtro recurso: vou ficar aqui, carregando este cartaz, até você saldar sua dívida.
Neste momento começou a chuviscar.
― Você vai se molhar ― advertiu ela. ― Vai acabar ficando doente.
Ele riu, amargo:
― E daí? Se você está preocupada com minha saúde, pague o que deve.
― Posso lhe dar um guarda-chuva...
― Não queroTenho de carregar o cartaz, não um guarda-chuva.
Ela agora estava irritada:
― Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro. Afinal, você é meu marido, você mora aqui.
― Sou seu marido ― retrucou ele ― e você é minha mulher, mas eu soucobrador profissional e você é devedora. Eu avisei: não compre essa geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora o pessoal lá da empresa de cobrança quer o dinheiro. O que quer você que eu faça? Que perca meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até você cumprir sua obrigação.
Chovia mais forte, agoraBorrada, a inscrição tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava: continuava andando de um lado para outro, diante da casa, carregando o seu cartaz.

O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001.   

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DA JANELA DO MEU QUARTO

Neste mundo moderno em que as cidades estão cada vez mais urbanizadas, da janela do meu quarto, vejo muros de concreto, janelas e telhados de casas vizinhas  e prédios.
Ao amanhecer não se vê mais o sol aparecer, as casas e prédios deixaram  minha casa ilhada.
Um galo solitário anuncia a chegada do sol e da janela do meu quarto observo o dia clarear.
Pássaros gorjeiam aqui perto, um cão late.
Começa o dia com o barulho dos carros e motos na avenida; da  janela do meu quarto observo o movimento da rua; mães levando crianças para escola e adolescentes também  vão para escola.Homens  e mulheres saindo para o trabalho.
Eu, da janela  do meu quarto,observo tudo e fico relembrando aquele tempo em que ;da janela  do meu quarto eu via o sol colorir o céu de alaranjado e despontar  radiante;anunciando o começo do dia.Com a brisa suave empurrando a cortina me despertando ,juntamente com o barulho somente dos pássaros.
Atualmente só temos a poluição visual e sonora que “grita”, da janela do meu quarto.
Edmeia 11/05/2009 (Código do texto: T1587530 - http://www.recantodasletras.com.br)